desistir da fé

Desistir da Fé: O Que Spurgeon Aprendeu em 3 Crises que Quase o Derrubaram


Desistir da fé é um pensamento que poucos cristãos admitem em voz alta.

Mas está lá. No silêncio depois da oração que não foi respondida. No cansaço de quem serve há décadas sem sentir que algo mudou. Na vergonha de quem esperava estar mais forte a esta altura da caminhada — e se encontra mais esgotado do que nunca.

Se você já pensou em desistir da fé, este artigo foi escrito para você. Não com respostas fáceis. Com a honestidade de um homem que passou pelo mesmo lugar — e deixou registrado o que aprendeu dentro dele.

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Spurgeon também quis desistir da fé

Charles Haddon Spurgeon nasceu em 1834 em Kelvedon, Essex, Inglaterra. Converteu-se aos quinze anos, pregou seu primeiro sermão aos dezesseis, e aos vinte já pastoreava a maior congregação batista de Londres. Era o pregador mais famoso da Inglaterra vitoriana. Sua congregação no Metropolitan Tabernacle reunia mais de seis mil pessoas todo domingo.

E ainda assim, havia dias em que ele queria desistir da fé.

Em seu diário particular, Spurgeon escreveu: “Há dias em que desejaria nunca ter nascido. Em que a pregação me parece vazia, a oração me parece um esforço mecânico e a fé me parece uma ilusão que sustento por hábito, não por convicção.”

Em outubro de 1856, uma tragédia marcou sua vida para sempre. Durante um culto no Surrey Gardens Music Hall, alguém gritou “fogo” no meio da congregação. O pânico matou sete pessoas e feriu dezenas. Spurgeon entrou em colapso nervoso e passou semanas sem conseguir pregar. Ele descreveu aquele período como o mais escuro de sua vida — o período em que mais sentiu vontade de desistir da fé e de tudo o que ela exigia dele.

E foi exatamente dessa escuridão que nasceram algumas das suas observações mais preciosas sobre a fé que persevera quando tudo diz para parar.

Leia mais sobre a vida de Spurgeon no Monergismo

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O que Spurgeon dizia a quem pensava em desistir da fé

Spurgeon não tratava o desejo de desistir da fé como pecado a ser condenado. Tratava como sintoma a ser diagnosticado.

Em seu livro Discursos aos Meus Alunos, ele escreveu que o ministro — e por extensão, todo cristão — que nunca sentiu vontade de abandonar a fé provavelmente nunca foi fundo o suficiente nela para sentir o seu peso real. A fé rasa não cansa porque não vai longe. A fé profunda cansa porque carrega o peso do que é real.

Havia três verdades que Spurgeon repetia aos crentes que queriam desistir da fé. Não como fórmulas. Como âncoras.

A primeira: o sentimento não é a fé.

Spurgeon era implacável nesse ponto. Em um sermão pregado em 1872, ele disse: “Sua salvação não repousa sobre o que você sente esta manhã. Repousa sobre o que Cristo fez numa tarde de sexta-feira, dois mil anos atrás. E o que Cristo fez não muda com o seu humor.”

O cristão que quer desistir da fé geralmente está confundindo duas coisas distintas: a ausência de sentimento espiritual com a ausência de Deus. Mas Deus não Se foi porque você não O sente. O sol não desapareceu porque há nuvens. E a nuvem mais densa do mundo não tem poder de apagar o sol.

A segunda: a depressão não é incredulidade.

Spurgeon sofreu depressão clínica por grande parte de sua vida adulta. E recusava-se a deixar que a Igreja tratasse isso como pecado. Em seu famoso sermão “The Minister’s Fainting Fits”, ele listou as causas físicas, emocionais e espirituais do esgotamento e concluiu: “Não condene o irmão que está no vale. Ore por ele. E se você mesmo está no vale, saiba que os maiores servos de Deus passaram por ele antes de você.”

A depressão que acompanha o desejo de desistir da fé não é prova de fé fraca. É prova de humanidade. E Deus se fez homem exatamente para encontrar a humanidade onde ela está.

A terceira: a perseverança vale mais do que a performance.

Esta era talvez a convicção mais profunda de Spurgeon sobre desistir da fé — ou melhor, sobre não desistir. Em suas próprias palavras: “Não me impressiona o homem que crê quando os céus estão abertos e a presença de Deus é sensível. Impressiona-me o homem que crê quando está no escuro — e se recusa a inventar uma luz artificial.”

Inventar uma luz artificial. Essa expressão merece pausa.

Spurgeon estava descrevendo o cristão que, diante do silêncio e do esgotamento, corre para substitutos — para a emoção fabricada, para a animação artificial, para a espiritualidade de superfície que produz sensação sem substância. E contrastando com o cristão que, no escuro, se recusa a fingir que há luz — e permanece fiel exatamente ali, confiando que a luz voltará porque Deus é fiel.

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O versículo que Spurgeon usava quando queria desistir da fé

Havia um versículo ao qual Spurgeon retornava repetidamente nos períodos em que sentia vontade de desistir da fé. Não por ser o mais famoso. Por ser o mais honesto sobre o que a fé exige nos momentos mais difíceis.

“Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, ele que é a salvação do meu rosto e o meu Deus.”

— Salmo quarenta e dois, versículo onze. Leia o Salmo quarenta e dois completo

Ele chamava esse versículo de “o sermão que a alma prega para si mesma”. O salmista não estava pregando para uma congregação. Estava pregando para sua própria alma abatida. Estava usando a vontade para conduzir a emoção — não esperando que a emoção chegasse primeiro para então agir.

“Por que estás abatida?” — a pergunta não nega o abatimento. O reconhece. Mas então dirige a alma para além dele: “Espera em Deus.” Não “sinta Deus”. Não “experimente Deus”. “Espera.” O verbo é de vontade, não de emoção.

Spurgeon dizia que essa era a oração mais corajosa que um cristão podia fazer: a oração feita quando não há vontade de orar. O louvor oferecido quando não há sentimento de louvor. A espera sustentada quando não há evidência imediata do que se espera.

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O que os puritanos diziam sobre desistir da fé

Spurgeon bebeu profundamente dos puritanos — e eles tinham muito a dizer sobre o cristão que quer desistir da fé.

John Owen, o maior teólogo puritano, escreveu que o crente que ainda luta — que ainda sente o peso da batalha espiritual, que ainda sofre com a própria inconstância — é precisamente o crente que ainda está vivo espiritualmente. O morto não luta. O indiferente não sofre.

A angústia que você sente por não ser o cristão que deveria ser é, paradoxalmente, evidência de que o Espírito Santo ainda está trabalhando em você. Porque apenas o Espírito Santo produz essa insatisfação santa com o pecado e essa sede por mais de Deus.

Richard Baxter acrescentava: “O cristão que quer desistir da fé e não desiste está exercendo a maior forma de fé que existe — a fé que permanece sem recompensa imediata, sem sentimento imediato, sem evidência imediata. É essa fé que Deus honra.”

Se você está cansado e ainda está aqui — se ainda está lendo, ainda está buscando, ainda está lutando mesmo sem vontade de lutar — então você já está fazendo o que Baxter descreveu. Você já está exercendo essa fé.

Se junto ao desejo de desistir da fé veio também o silêncio de Deus, leia O Silêncio de Deus Não É Abandono — um artigo que trata essa ferida com a mesma precisão bíblica que Spurgeon usava do púlpito.

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O que aconteceu com Spurgeon depois que quis desistir da fé

Spurgeon não saiu das suas crises como o mesmo homem que entrou.

Saiu mais profundo. Mais compassivo. Menos impressionado com a espiritualidade de aparência. Mais atento à dor silenciosa nos bancos da congregação. Menos dado ao espetáculo. Mais dado à substância.

E foi exatamente depois dos períodos em que mais sentiu vontade de desistir da fé que surgiram alguns dos seus sermões mais poderosos — aqueles que atravessaram o Atlântico, que foram lidos por homens e mulheres em crise em dois continentes, que ainda hoje chegam ao coração de cristãos cansados.

O cansaço não encerrou o ministério de Spurgeon. Foi o cadinho que o refinou.

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Para o cristão que está no limite agora

Se você chegou até aqui, é provável que a história de Spurgeon tenha tocado algo que você reconhece na sua própria caminhada.

O desejo de parar. A sensação de que a fé que você tinha não é mais a mesma. A vergonha de admitir que um cristão com a sua história deveria estar melhor do que está.

Spurgeon responderia a você com a mesma coisa que ele respondeu a si mesmo nas câmaras sombrias da sua própria alma: permaneça.

Não porque vai ser fácil. Não porque o sentimento vai voltar amanhã. Mas porque o Deus que te chamou é fiel — e a fidelidade d’Ele não depende da sua.

“Fiel é aquele que vos chama, o qual também o fará.”

— Primeira Tessalonicenses cinco, versículo vinte e quatro.

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Conclusão: a fé que permanece no escuro

Spurgeon morreu em 1892, aos cinquenta e sete anos, exausto de corpo mas inabalável de fé.

Nas últimas semanas de vida, ditou de seu leito uma carta a um jovem pastor que lhe escrevera dizendo que queria desistir da fé e do ministério. A carta terminava assim:

“Permaneça, meu irmão. Não porque seja fácil. Não porque você sinta que deve. Mas porque Aquele que começou a boa obra em você é fiel para completá-la. E a fé que permanece no escuro é a fé que o céu aplaude.”

A fé que o céu aplaude não é a fé que nunca quis desistir. É a fé que quis desistir — e permaneceu.

Essa pode ser a sua fé hoje.

“Aquele que vos começou a boa obra a completará até ao dia de Jesus Cristo.”

— Filipenses um, versículo seis.

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